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TUDO É MATÉRIA
 

 

 

Materialismo não é sinônimo
de egoísmo ou sovinismo. Na verdade, esse conceito vem impulsionando o avanço
científico desde o
Renascimento


Q
uando alguém é ganancioso, mesquinho, consumista, enfim, só pensa em dinheiro e em bens materiais, normalmente dizemos que essa pessoa é “materialista”. É comum ouvirmos também que a causa principal dos males que assolam a humanidade é o “materialismo”. Nesse caso, o termo aparece como um sentimento desumano, uma ideologia egoísta por trás das decisões cruéis e das atitudes inescrupulosas dos seres humanos, em particular dos ricos e poderosos do planeta. Do mesmo modo, encontramos a palavra associada à falta de religião e até de moral. Mas, quando analisamos o emprego filosófico do termo, verificamos que o significado muda consideravelmente.


No dialeto filosófico, materialista nada tem a ver com egoísta. Tampouco o materialismo é o grande responsável pelas desgraças do mundo. No século XVI, entendia-se por materialista um simples vendedor de matéria-prima para a preparação de remédios. Foi no século seguinte que esta palavra adquiriu finalmente teor filosófico. E por intermédio de Henry More (1614-1687) e Gottfried W. Leibniz (1646-1716), filósofos não-materialistas, vale frisar. Mas o materialismo começou a ganhar estatuto de conceito mesmo foi com os escritos de Ralph Cudworth (1617-1688).

 

MATÉRIA OU ESPÍRITO
Em linhas gerais, o materialismo é uma doutrina filosófica que afirma a existência de apenas uma substância no universo: a matéria. O que chamamos de alma (a dimensão do pensamento e dos sentimentos) também seria de natureza material, mais precisamente orgânica e fisiológica, como vemos nas reflexões de pensadores materialistas como La Mettrie (1709-1751) e Denis Diderot (1713-1784). Por explicar
tudo com base na matéria e em causas corporais, o materialista opõe-se radicalmente à perspectiva espiritualista ou dualista. Esta última sustenta que são duas e distintas as substâncias existentes na natureza: a matéria e o espírito. Por conseqüência, o materia
lista concebe o homem como um ser absolutamente mortal. Já o espiritualista, por sustentar que a alma é uma substância imaterial, acredita na sua eternidade para além do túmulo.





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