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O
diagrama de Venn, que usa estratégias da
teoria dos conjuntos para testar os silogismos,
ajuda a refletir sobre essa polêmica |
As
modernas técnicas de neuroimagem utilizadas em exames
médicos e estudos científicos, capazes de mostrar
quais áreas do cérebro estão mais ativas
quando uma pessoa desempenha alguma atividade intelectual,
estão reativando um velho debate: afinal, quando raciocinamos
sobre um problema de natureza lógica, utilizamos os
recursos da linguagem? Ou será que usamos esquemas
mentais baseados em imagens? Enfim, do que mais nos valemos,
de palavras ou de imagens?
Os estudos experimentais não são conclusivos.
Tudo indica que quando as tarefas propostas são apresentadas
de um modo formalizado, destacando a sintaxe e os aspectos
gramaticais das frases e sentenças, há maior
uso das áreas da linguagem. Mas quando elas chegam
de um jeito menos formalizado, havendo elementos semânticos
relevantes, é a imagem que se torna predominante na
elaboração do raciocínio.
Falso dilema
O filósofo inglês Bertrand Russell (1872-1970),
num belo livro chamado Análise da Mente, sustenta que
a verdadeira genialidade consiste em transitar das imagens
às palavras, e vice-versa. Freqüentemente, quando
somos capazes de fazer essa passagem, problemas inicialmente
difíceis podem acabar tendo uma resolução
até fácil. Quer um exemplo? Durante séculos
o silogismo foi tratado por meio da análise lingüística
das suas proposições. Só que, há
aproximadamente 150 anos, o lógico inglês John
Venn (1834-1923) desenvolveu a técnica do diagrama
para analisá-lo por meio de conjuntos, o que tornou
a silogística uma questão quase trivial. Com
esse recurso, qualquer pessoa pode perceber a validade ou
invalidade de um silogismo.
Teoria na prática
Tomemos o seguinte exemplo: “Todos os mamíferos
são animais, todos os cães são mamíferos,
logo, todos os cães são animais”. Há
três classes de coisas relacionadas: animais, mamíferos
e cães. Utilizando o método de Venn, inicialmente
representamos cada uma dessas três classes por meio
de três círculos que se intersectam, tal como
abaixo:

Depois,
considerando as premissas, passamos a hachurar as regiões
que compõem o diagrama, indicando que a parte destacada
refere-se ao que não pode ser. Assim, para a premissa
“todos os mamíferos são animais”,
iremos representar
no diagrama o fato de que não existem mamíferos
que não sejam animais. No diagrama isso ficará
hachurado assim:

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