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Marx nota nessa teoria a grande verdade
cínica da Economia. De fato, o trabalho oferece
a base material para determinar o valor.
Contudo, os economistas não explicam a
contradição no fato de que, quanto mais
mercadorias o trabalhador produz, mais miserável ele se torna. Sobretudo no século 19, de
acordo com a descrição que Friedrich Engels
(1820-1895) traz da classe operária inglesa.
Engels – que mais tarde se tornaria o principal
parceiro de Marx – conclui suas reflexões afirmando
que aos trabalhadores ingleses restariam
duas opções: ou competir com as máquinas
ou submeter-se a serviços bárbaros.
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Como o contraste entre miséria e riqueza é
possível? Conforme Marx, as especulações da
teoria econômica tentam responder à questão
pela contradição que os monopólios ofereciam
aos princípios do livre-mercado, gerando as crises
econômicas e a miséria social. Marx, porém,
identifica nessa controvérsia econômica o
tabu do capitalismo: afinal, quais são os limites
da propriedade privada? Os Manuscritos contêm
uma análise detida das origens desta.
Entre os economistas, a origem é dada
por uma mitologia primitiva, tratando a propriedade
privada como um dado que acompanha
o primeiro passo evolutivo do homem.
Marx sabe que não é preciso ir tão
longe, e, em lugar de buscar a origem cronológica,
parte em busca da origem lógica da
propriedade privada, encontrada no presente,
no simples fato de que o produto sai das
mãos do trabalhador para seguir em direção
ao mercado. É nesse sentido que Marx adiciona à análise clássica das categorias econômicas
mais um capítulo: “trabalho alienado
e a propriedade privada”.
Trabalho, esse estranho
Com o novo conceito de trabalho alienado – ou, como atualmente é traduzido, o “trabalho
estranhado” –, Marx revisita seus estudos
de Hegel. Para este filósofo, a efetivação do
trabalho é a sua objetificação. Hegel apresenta
essa tese no interior do momento dialético das
relações de alteridade em sua obra Fenomenologia
do Espírito. O estranhamento aplicase
ao momento lógico em que a alteridade se
torna dominação; quando toda a coisificação
contida no trabalho é tornada estranha na medida
em que o trabalhador se submete a um
outro, como o escravo ao dominador. O jogo
da dominação aproveita-se da dinâmica própria à objetificação do trabalho. Ora, nesse
mesmo movimento de exteriorização reside
um movimento de alheamento, de alienação,
pelo qual se forma a dominação. Todavia, a dinâmica
hegeliana reduz-se à mistificação do
espírito: pois esse campo exteriorizado indica o
movimento do espírito para uma esfera objetiva
de reconhecimento entre iguais. |