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QUANDO O TRABALHO PREOCUPA A FILOSOFIA
 

 

 

 

 

 

Os Manuscritos Econômico-Filosóficos revelam os primeiros passos de Karl Marx para decifrar o
processo da alienação

 

Quando, em 1932, foram publicados os Manuscritos Econômico-Filosóficos de Karl Marx (1818-1883), uma nova página na história do marxismo começou a ser escrita. Muitos foram os que se envolveram nessa leitura, trazendo luzes variadas para a crítica da economia política. A análise do trabalho de Georg Lukács (1885-1971), a teoria crítica de Herbert Marcuse (1898-1979) e o existencialismo de Jean-Paul Sartre (1905-1980) são apenas alguns exemplos dessa influência. Qual seria a novidade desse trabalho? Podemos pensar a resposta em dois níveis.


À primeira vista, os Manuscritos estabelecem uma novidade histórica. Perry Anderson (1938) registra a série de conflitos enfrentados pelo marxismo no período. Em geral, ocorria uma contradição entre os economicistas que determinavam suas práticas conforme a dinâmica da estrutura econômica da sociedade e aqueles cuja prática seria estabelecida pela dialética entre as bases econômicas e as estruturas jurídicas, culturais e políticas. Os Manuscritos Econômico-Filosóficos representam para este último grupo uma alternativa política além do economicismo. É um registro genético da teoria da revolução de Marx que transita não somente por vias não econômicas, mas também entre a Filosofia e a Economia.


Ao fundo podemos afirmar que os Manuscritos configuram, sobretudo, uma novidade filosófica. Decerto, os temas levantados nessa obra concebem o “trabalho alienado” como personagem importante no interior do quebracabeça da teoria crítica social. Pode-se dizer que nessa linha o trabalho alcança sua cidadania no território dos problemas filosóficos.

 

O ano de transição
Marx redige os Manuscritos em 1844, em seu exílio na França.Apesar dessa condição estrangeira, estava muito próximo de grupos franco-germânicos que sustentavam críticas aos poderes vigentes na época. Respirava-se ali uma atmosfera de revolução, com a organização de diversos movimentos políticos (comunistas, anarquistas, liberais) contrários aos poderes instituídos. É nesse clima que Marx se aproxima dos comunistas, afinando seu pensamento à crítica da propriedade privada. Auguste Cornu (1888-1981) relata que os Manuscritos marcam a passagem do apoio de Marx dado à democracia liberal para o envolvimento cada vez mais intenso com o comunismo. Portanto,
1844 seria um ano de transição e, como tal, seriam necessárias tanto a revisão gradual das próprias posições quanto a ruptura justificada com antigos aliados. Essa tensão é marcante no texto que transita entre as novas leituras dos pensadores econômicos e as antigas leituras da dialética de Hegel (1770-1831).


Entre as leituras econômicas, destacamos aqui a teoria do valor-trabalho desenvolvida pelos britânicos Adam Smith (1723-1790) e
David Ricardo (1772-1823). O pressuposto central dessa corrente está na concepção de que o trabalho é o produtor de riqueza. Assim, o valor das mercadorias não se estabelece meramente pela balança entre oferta e procura, mas pelo quantum de trabalho que uma determinada mercadoria acumula na forma de capital.

 

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