
|
O Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt reuniu
alguns dos pensadores mais influentes do século 20
|
Apesar do nome, a conhecida Escola de Frankfurt
não é e nunca foi uma escola de pensamento filosófico,
no sentido estrito do termo. Quando
nos referimos a ela não fazemos menção a uma
estrutura homogênea e harmônica de pensamento,
compartilhada por todos os seus membros, muito menos
datamos sua existência. As filosofias dos alemães
Walter Benjamin (1892-1940), Theodor Adorno (1993-1969), Max Horkheimer (1895-1973), Herbert Marcuse
(1898-1979) e Jürgen Habermas (1929) possuem estruturas
e linhas muito distintas entre si; é precipitado demais
uni-las sob um rótulo único.
Por que então se costuma agrupar esses teóricos sob
o nome de frankfurtianos? Ou, colocando o problema
em outros termos, será que, apesar das diferenças, há
algo em comum entre esses pensadores? Certamente,
não é fácil responder a essa questão. Mas é possível vislumbrar
alguma saída dessa falsa aporia; talvez tateando
outras gamas de possibilidade interpretativa dessa “Escola” que ainda hoje tem muito a nos dizer.
A criação do Instituto
A conhecida Escola de Frankfurt surgiu na década de
20, com a fundação do Instituto de Pesquisa Social (Institut
für Sozialforschung), em 3 de fevereiro de 1923, por
seu idealizador, o cientista político teuto-argentino Felix
Weil (1898-1975). Em 1924 suas instalações foram inauguradas
oficialmente na cidade universitária de Frankfurt.
Inicialmente deveria chamar-se Instituto para o
Marxismo, e depois Instituto Felix Weil de Investigação
Social. A idéia era institucionalizar um grupo de pesquisa
dedicado à teorização dos movimentos operários na Europa. Weil vislumbrou essa possibilidade após organizar
a Primeira Semana de Trabalho Marxista na Turíngia,
no verão de 1922, que contou com a presença de diversos
teóricos marxistas, tais como o húngaro Georg
Lukács (1885-1971) e os alemães Friedrich Pollock
(1894-1970) e Karl Korsch (1886-1961).
O Instituto de Pesquisa Social, embora tenha o início
de seu funcionamento vinculado à Universidade de
Frankfurt, sempre manteve sua autonomia, tanto acadêmica
quanto financeira. O primeiro diretor do Instituto
foi Carl Grünberg, que permaneceu no cargo até
1930, quando foi substituído por Max Horkheimer.
Nessa primeira fase, a orientação do Instituto estava
voltada à pesquisa de como a classe operária enfrentava
as conseqüências de um sistema capitalista. O foco
do trabalho estava sobre a documentação e teorização
desses movimentos operários.
Sob a direção de Horkheimer, a orientação do Instituto
mudou substancialmente, ultrapassando a investigação
documentarista de tradição marxista para abarcar uma análise crítica dos problemas decorrentes do capitalismo
moderno. Em seu discurso inaugural, Horkheimer
explicitou sua proposta de investigação teórica baseada
nas análises de experiências empíricas e históricas. O fio
condutor desse estudo se calcava numa metodologia dialética
inspirada na teoria marxista e hegeliana. Assim,
deslocou-se a preocupação com o modo como o proletariado
enfrentava as crises específicas do capitalismo do
século 20 para o questionamento das causas dessa ação.
|