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Alunos de colégio da Paraíba criam grupo de estudo
para aprofundar o debate sobre temas tratados em classe
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Leciono, desde 1998, em classes da 5ª série do Ensino Fundamental ao 2º ano do Ensino Médio e sempre senti
a necessidade de desenvolver um trabalho ligado ao cotidiano. Também procuro fazer com que minhas reflexões
conduzam meus alunos a uma viagem interior. Essa iniciativa torna as ações discentes mais centradas, críticas e
conscientes. Estudar os textos de Platão,Aristóteles e até mesmo de Giovanni Reale, ou travar uma discussão acerca
da Estética, Lógica ou Metafísica, só fazem sentido se os alunos puderem vivenciá-los em seu dia-a-dia.
A oportunidade para tal vínculo está nas situações com as quais nos deparamos diariamente e às quais atribuímos
juízos de valor. Mas, como fazer isso? Onde buscar ferramentas para a elaboração de um juízo criterioso e
equilibrado? A Filosofia oferece essas respostas.
Um grupo em constituição
Tudo começou ao término de uma aula de Filosofia no colégio Hipócrates, em João Pessoa (PB).A fim de aprofundar
os debates sobre Ética e direitos humanos, uma aluna sugeriu a criação de um grupo de estudos, o qual,
confesso, sempre desejei formar. Em março de 2006, formamos o grupo com aproximadamente 13 alunos. Nossa
primeira atividade foi sobre o longa-metragem O Clube do Imperador. Hoje, o grupo Eidos até possui uma comunidade
no Orkut. Os encontros quinzenais são realizados nas dependências da escola; nos reunimos onde houver
um cantinho. Textos e filmes são comentados e debatidos, e fatos de importância nacional ou mesmo vivenciados
pelos alunos são discutidos. Trata-se, acima de tudo, de um espaço para reflexão.
Desde o início foi destacada a importância e a necessidade de ler comentadores; é fundamental, porém, beber
primeiro nas obras clássicas e ter contato direto com grandes autores. Nossos encontros são antes de tudo um convite
para mergulhar na pesquisa e na leitura das obras e do mundo. Ler o mundo é primordial para compreendê-lo
e nele sobreviver. Acima de tudo, filosofar é reafirmar a potencialidade individual; é saber que todos somos capazes
de grandes feitos se bem instruídos e direcionados.
Nos encontros nenhuma corrente de pensamento é adotada. Ou melhor, o professor – chamado carinhosamente
de mentor – não predetermina nada, mas apresenta a temática ou o filósofo de forma clara, sem tomar partido
para não influenciar o próprio trajeto intelectual do grupo. Desse modo, existe uma “democracia do conhecimento”,
na tentativa de não limitar as leituras ou os posicionamentos dos integrantes.
Procuramos conduzir uma reflexão sobre o ser e o existir. São propostas muitas perguntas sobre os limites de
nossa liberdade e a ditadura das ideologias. Por exemplo, analisamos o documentário Quem somos nós?. Por meio
dessa análise, o grupo conheceu a teoria das possibilidades, questionou muitas idéias e debateu por duas semanas.
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