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Hannah Arendt,
seu pensamento sobre
a ação política e a experiência
da pólis grega
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Em meio a crises políticas que
já fazem parte de nosso cotidiano
há quem defenda que a
cidadania é apenas um modo
de legitimar os Governos por meio
de eleições e, portanto, incapaz de
incluir efetivamente o indivíduo na
ação política. Mas o que nos faz agir
politicamente? Como e onde podemos
estabelecer o espaço “público”?
Essas questões não se esgotam
nos aspectos gerais da teoria da
ação política em Hannah Arendt.
Podemos dizer, no entanto, que tais
indagações são pequenas provocações
para pensarmos e para agirmos
na construção de uma sociedade
com a marca do respeito à
espontaneidade e à liberdade, como
fez a filósofa alemã.
O interesse da Filosofia política
de Arendt é o mundo humano, ou
seja, tudo aquilo que homens e mulheres
constroem com o objetivo de
conciliar sua existência com o espaço
comum, no qual se comunicam
e interagem. Sua obra traz muito do
contexto da Alemanha dos anos 30,
onde havia a impossibilidade de viver a Política, e o cidadão estava privado
do diálogo com seus pares.
Hannah Arendt reflete sobre a
dissociação entre o que a tradição
do pensamento ocidental elaborava
para a compreensão do mundo e a
realidade radical da experiência por
ela vivida após a ascensão do nazifascismo.
A reflexão acerca do modo
como nossas ações políticas se dão,
ou podem acontecer, influenciadas
pelo mundo partilhado com os outros,
leva-nos a imaginar um percurso
que pode subverter a velha submissão
do pensamento a uma razão
política dissociada da realidade.
Uma das principais preocupações
de Hannah Arendt é a despolitização
de nossas sociedades. Isso
porque esse fenômeno indica um
rompimento do homem com sua
capacidade de discernir critérios e
referências de convivência que permitam
a cada um comunicar-se
com todos os demais e agir em presença
da pluralidade humana.
Trabalho, fabricação e ação
Para pensarmos a respeito do
significado de ação política para
Hannah Arendt é preciso expor sua
distinção, originária no pensamento
grego, entre as três dimensões da
atividade humana: o trabalho, a fabricação
e a ação. Tais dimensões
compõem a chamada vita activa
(“vida ativa”).
Cada uma dessas atividades corresponde
a um aspecto de uma determinada
concepção de ser humano,
que pode ser descrito de três
maneiras distintas: ora como animal
laborans, quando o agente se
encontra aprisionado pelas necessidades
biológicas e trabalha somente
para prover sua subsistência; ora como homo faber, o homem como
fabricante de artefatos duráveis,
que constrói um mundo mediante o
domínio de uma téchne; e ora como
zoon politikon, o agente da política,
caracterizado pelas relações entre
os homens na esfera pública.
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