Conversamos sobre as pensadoras da Grécia antiga, a respeito de sua biografia; não registrada
nos livros didáticos, assim como o conceito de cidadania da época e a inserção da mulher
naquele quadro político. Pesquisamos a vida de mulheres que foram matemáticas, poetisas e escritoras.
Todos ficaram surpresos com as histórias como a da filósofa Hipátia, cujo corpo foi dilacerado
com pedaços de azulejos e conchas de ostras em plena praça pública. Enfim, mulheres
que fizeram História e construíram teorias e saberes que, até hoje, não são estudados.
Debatemos ainda o papel das filósofas da Idade Média cujo pensamento foi silenciado
pelo poder eclesiástico e que tiveram seus livros queimados assim como os demais escritos
condenados pela Igreja. Abordamos também pensadoras do Renascimento, tal como Olímpia
de Gouges, condenada à morte e decapitada em praça pública para intimidação de todos os
que ousassem questionar a ordem instituída e discutir a igualdade de direitos.
Buscamos também desvendar como viviam e quem foram as filósofas da era moderna.
Pontua-se que algumas delas, tais como Hannah Arendt e Simone de Beauvoir, conseguiram
obter um pouco mais de reconhecimento. No entanto, Simone de Beauvoir, apesar de ter sido
uma filósofa feminista, autora de obras que são marcos na Literatura mundial, ainda hoje é
mais citada como companheira do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, do que propriamente
por sua produção intelectual. Conhecemos também as pensadoras latino-americanas,
tais como Francesca Gargallo e Juana Inés de la Cruz, assim como suas produções teóricas.
A descoberta
O curioso foi observar o interesse de alguns alunos em conhecer algumas filósofas brasileiras.
Chegaram a entrevistar as gaúchas Márcia Tiburi e Magali Meneses. A experiência ajudou
a desmistificação do estereótipo existente em torno da Filosofia e da pessoa que pratica
ou pode praticar o pensamento filosófico.
Como desdobramento dos estudos sobre a Filosofia no feminino, estudamos o feminismo,
as relações de gênero, o sexismo e o preconceito. Os trabalhos realizados pelos estudantes foram
apresentados e debatidos, e se tornaram redações posteriormente enviadas para o concurso
1º Prêmio Construindo Igualdade de Gênero, patrocinado pelo CNPq em parceria com a
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Ministério de Educação e o Ministério de
Ciência e Tecnologia. A participação dos estudantes nesse tipo de evento de certa maneira os
instigou, alimentando os debates, as reflexões e as produções teóricas.
Graziela Rinaldi da Rosa é professora de Filosofia, graduada pela UFPel. Especialista em Metodologia
do Ensino de História e Geografia - Faccat. Mestranda em Educação na Unisinos-RS.
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