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Herdeiro de pensadores materialistas,
anticlericais, anticristãos e
ateus como La Mettrie e Marquês de
Sade, de revolucionários e militantes
libertários como Louis Auguste
Blanqui, Proudhon e Guy Debord, e
de filósofos iconoclastas como
Nietzsche, Michel Foucault e Gilles
Deleuze, Onfray entende a consciência
religiosa como uma visão de
mundo infantil, ilusória e alienada,
fundamentada numa ficção |
absurda,
num mito nefasto, num conto
pueril, enfim, num subterfúgio psicológico
denominado “Deus”.
Já a fonte do sentimento religioso
Onfray atribui ao medo da morte, à angústia diante da finitude e à incapacidade
humana de conviver
com as mazelas da vida de maneira
sóbria e corajosa. Em contrapartida,
ele concebe o ateísmo como uma
perspectiva lúcida das coisas; a forma
mais racional e destemida de
encarar a realidade em sua crueza e
eventualmente em sua beleza.
E, em vez de fazer coro com os
arautos da metáfora da morte de
Deus (o que não existe não pode
morrer) e de juntar-se aos seus assassinos,
Onfray inverte a lógica do
assassinato, acusando a fé numa divindade de ser a verdadeira criminosa.
Para ele, os preceitos religiosos,
das mitologias monoteístas em
particular, são direcionados para eliminar
impiedosamente tudo o que
resiste à sua supremacia, isto é, a razão,
a inteligência, o espírito crítico,
o prazer, a liberdade, a autonomia, a
igualdade e, por fim, a felicidade.
Por outro lado, tais preceitos enaltecem
a crença cega nos seus dogmas
absurdos, a submissão à autoridade e
o conformismo a uma ordem opressiva
e de sofrimentos com discursos
de predestinação e promessas de recompensa
aos mais obedientes num
incerto e imprevisto paraíso localizado
num além-túmulo.
Assim, despojada de qualquer
pretensão de originalidade, a ateologia
de Onfray estabelece como tarefa
humanitária principal desmascarar
e implodir todos os monoteísmos,
ou seja, a religião judaico-cristã e o
islamismo, junto com seus livros sagrados,
redentores e todas as suas
fantasmagorias que envenenam corações,
turvam mentes, entorpecem
consciências e satanizam o corpo.
Em outras palavras, ao ateu positivo
e militante caberia reiterar e amplificar
a denúncia feita há muitos séculos
pelo autor anônimo de outro
tratado anti-religioso não menos polêmico,
o Tratado dos Três Impostores,
no qual Moisés, Jesus Cristo e Maomé
aparecem como os três maiores
impostores da história da humanidade.
Afinal, o que dizer, por exemplo,
de alguém que se apresenta a desesperados
e ignorantes como o filho de
Deus, o caminho a ser seguido, como
a luz, a verdade, a vida e o salvador de
todos? No mínimo se trata de um
personagem demente, de um sujeito
megalomaníaco ou de um charlatão
abusado e sem nenhum escrúpulo.
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