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O movimento surgiu no século 19 como negação de dois
pilares do Ocidente:
o racionalismo e o cristianismo
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A concepção de ser humano e de vida que vigora no mundo ocidental foi construída
pela Filosofia e pelo cristianismo. A primeira estabeleceu a supremacia da razão em detrimento
das explicações provenientes dos sentidos e dos sentimentos, constituindo-a
como instrumento de demonstração lógica das justificativas dadas sobre a natureza e o
homem. Em contrapartida, o cristianismo enfatizou a supremacia do mundo espiritual
em prejuízo da razão, criando novos sentidos e valores.
Apesar da oposição entre essas duas concepções, o valor-verdade está presente em
ambas. Esse valor expressa a pretensão de conhecer a natureza e o sentido da existência
humana em sua totalidade. Ao longo da História, a tradição do pensamento ocidental
construiu conceitos e teorias que se consagraram como “verdades”, produzindo valores e
sentidos para os homens. Nesse contexto, o niilismo se expressa como a negação dos
conceitos e valores vinculados a essas teorias.
A noção de niilismo se constrói em torno do sentido dado à existência humana. Assim,
todo questionamento do valor-verdade pode ser considerado como manifestação de niilismo.
A palavra “niilismo” é derivada do latim nihil, que significa “nada”. O termo, no entanto,
só passou a ser empregado efetivamente no século 19.
Vale ressaltar que o niilismo como posicionamento não é encontrado apenas na Filosofia.
Ele pode ser visto nas expressões artísticas, literárias e ainda no pensamento político.
Foram chamados de niilistas todos aqueles que negaram o poder ou a supremacia
da razão, assim como os valores cristãos.
Relativismo e ceticismo
O niilismo considera as crenças e os valores tradicionais infundados, assim como
afirma não haver nenhum sentido ou utilidade na existência humana. Refere-se, ainda, a
um espírito destrutivo total e absoluto. O conceito de niilismo, no entanto, pode ser usado
também pelos que criticam as teorias tradicionais e as julgam como não tendo o “verdadeiro” entendimento sobre o ser, não criando, portanto, os “verdadeiros” valores.
Nesse sentido é que aparecem o relativismo e o ceticismo, posicionamentos que estiveram
presentes em vários momentos da História da Filosofia.
O alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), ao negar a supremacia da razão e os valores
cristãos, é considerado o mais célebre filósofo niilista. Para os cristãos, Nietzsche
era niilista, pois desconstruiu tanto a idéia de verdade como a idéia de moral, além de
ter negado valores como a igualdade, a humildade e a compaixão. Porém, ele próprio
chamou de niilistas os que negavam aquilo que ele tomava como valor e que fundamentava
sua Filosofia: a afirmação do ser individual.
Apontado como niilista, mas crítico desse posicionamento a ele atribuído, Nietzsche
via o niilismo como a lógica da decadência, pois exprime o processo de enfraquecimento
a que o homem foi necessariamente submetido graças à suprema valorização da razão
e dos ideais cristãos.
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