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O trabalho do filósofo e militante francês influenciou muitos
campos do saber,
sem preocupação com
limites entre disciplinas.
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No dia 15 de outubro de 2006,
Michel Foucault completaria
80 anos. Foi um dos intelectuais
emblemáticos do
pensamento francês no século 20,
tornando-se certamente o pensador
mais presente nos meios de comunicação
depois de Sartre. Intelectual
e militante, Foucault pesquisou,
lecionou, publicou livros e
artigos, e também esteve presente
em manifestações e causas sociais,
como quando criou o GIP – Grupo
de Informação sobre as Prisões, em
1971. Ele investiu numa espécie de
micropolítica, que pretendia fazer
intervenções e produzir transformações
no cotidiano.
Esse pensamento que se faz militância
e essa militância no pensamento– lembra-nos da conhecida
entrevista de Foucault com Gilles
Deleuze em 1972, publicada como
Os Intelectuais e o Poder, em que eles
tratam das complexas relações entre
teoria e prática, que já não podem
ser dissociadas – fazem que a
produção teórica de Foucault seja
difícil de classificar.
Foucault hoje é lido, estudado e
usado por historiadores, sociólogos,
psicólogos, filósofos, educadores e profissionais de outros campos do
saber. Sua obra, ao mesmo tempo
em que dialoga e produz intervenções
em todos esses campos, não
pode ser reduzida a nenhum deles,
sob pena de perder parcelas significativas
de sua contribuição.
Embora filósofo de formação e
tendo construído sólida carreira acadêmica
na França, coroando sua trajetória
com quase uma década e meia
como pesquisador e professor no
prestigioso Collège de France, Foucault
não vestiu o traje típico do filósofo
acadêmico francês do século 20.
Em lugar de comentar obras
clássicas da História da Filosofia ou
de especializar-se no pensamento
de determinado autor, ele produziu
uma obra plural e diversa, abordando
temas como as instituições modernas– do hospital à escola e à prisão
–, o saber, os jogos de poder, a
Literatura, a sexualidade.
Podemos caracterizar sua abordagem
como transversal, cortando
os vários campos do conhecimento
sem se preocupar com as fronteiras
disciplinares. Mas é certo que o próprio
Foucault não se furtou a classificar
seu trabalho como filosófico;
em várias entrevistas que concedeu
no início da década de 80, especialmente
naquelas em que comentou
o lançamento do segundo e do terceiro
volume da História da Sexualidade.
Já em 1984, meses antes de
morrer, afirmou que sua obra fazia
uma espécie de “diagnóstico do presente”, já que a Filosofia, desde
Nietzsche, tem sido um diagnóstico
do presente. Além disso, afirmava:
filosofar consiste em pensar não no
verdadeiro e no falso, mas em nossas
próprias relações com a verdade.
Assim, ele vê a Filosofia como
experiência de pensamento, que
implica operar modificações no
pensamento e na experiência. Recebemos
uma tradição, e mantê-la viva
não significa reverenciá-la, mas
sim pensar, com ela ou contra ela,
nossos próprios problemas, interrogando-nos sobre como devemos
conduzir nossas vidas.
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