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Doença que se espalha
Assim como há vários termos
para explicar o processo de dissolução
das coisas políticas, o mesmo
ocorre para designar aquilo que é
passível de corrupção no mundo
político.
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Termos como “repúblicas”,
“principados”, “Estados”, “cidades”,
“instituições”, “regimes” e até “corpos
mistos” são utilizados como sinônimos
dos lugares que podem
sofrer corrupção. Isso mostra como
a degeneração das coisas ligadas à
esfera política é aplicável a todas as
partes, a todos os componentes
desse universo, e não há nada que
seja imune por natureza.
No Livro III, capítulo I dos Discursos,
Maquiavel compara a cidade
a um corpo político composto de
várias partes, que são as instituições,
os órgãos executivos, as leis, o
Poder Legislativo, as magistraturas,
enfim, todas as organizações que
cumprem alguma função para a
manutenção do Estado.
A corrupção é identificada a uma
doença que recai, primeiramente,
sobre alguma parte, mas que pode
contaminar o corpo todo. Ora, assim
como a doença se inicia num
determinado órgão, igualmente essa
doença que acomete a vida política começa em alguma organização e, se não for tratada
corretamente, pode levar à morte, ou seja, à
dissolução ou ruína do Estado.
De acordo com Maquiavel, a corrupção denota
o estágio da vida em que as partes se vão desligando
do todo, rompendo sua ligação primeira (daí
corromper, perder a ligação, romper a união essencial).
Numa imagem clássica, todo ser vivo nasce,
cresce, corrompe-se e morre. Todo o corpo, então,
estará sujeito a um processo de corrupção em
determinado estágio da vida, em que a vitalidade
se vai perdendo paulatinamente, ou mesmo abruptamente,
quando ocorre o fim da existência.
Conflitos saudáveis
Contudo, contra esse processo que parece inevitável,
há alguns remédios ou procedimentos
que garantem a permanência de uma república.
Nos 18 primeiros capítulos do Livro I, Maquiavel
detém-se na análise desse processo natural do
campo político e apresenta alguns fatores que devem
ser buscados para conservar as instituições.
Dentre as várias coisas que garantem a conservação
de um Estado, convém destacar
duas: a aceitação do conflito
como algo salutar na vida
política e a existência
de instituições
políticas que sejam
livres.
O autor aponta
que a existência de
disputas entre os grupos
políticos está relacionada à necessidade de eles zelarem pela liberdade
de manifestação política, a
possibilidade de haver meios para a
denúncia, a acusação e a defesa pública;
tudo, enfim, que possa garantir
a durabilidade das instituições
por muito tempo.
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