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MAQUIAVEL E A CORRUPÇÃO
 

 



O pensador italiano
demonstra
que essa prática
gera a decadência
e a ruína dos Estados


H
á tempos acompanhamos assustados e surpresos as denúncias sobre os desvios de conduta dos representantes da vontade popular. Assistimos a uma enxurrada de suspeitas de corrupção por parte da classe política. Em meio a tudo isso, tentamos entender os fatos, estabelecer ligações, descobrir quando isso começou e onde todas essas denúncias vão desembocar.


Em tais ocasiões convém retomar os ensinamentos dos pensadores que explicaram esses mecanismos que parecem ser da natureza do mundo político. Um desses homens foi Nicolau Maquiavel. Ele elaborou uma ampla reflexão política, consagrando também um lugar para pensar a corrupção das instituições políticas, dos regimes e dos Estados.


Nos vários escritos políticos de Maquiavel há especial atenção voltada para um evento que sempre pode ocorrer a qualquer organismo político: sua ruína, decadência ou corrupção. Esses três termos refletem um mesmo processo de dissolução das estruturas das instituições políticas, o que provavelmente ocorrerá se nada for feito.

 

Decifrando Roma antiga
O tema da corrupção está presente em vários textos maquiavelianos, mas, particularmente nos Discursos Sobre a Primeira Década de Tito Lívio, no qual essa exposição apresenta sua forma mais desenvolvida. Constituídos por três livros, os Discursos comentam os fatos narrados pelo historiador romano Tito Lívio (59 a.C - 17 d.C). Os comentários se concentram na tentativa de “decifrar” o modo de funcionamento da vida política romana, buscando os elementos que sustentaram o esplendor e a grandeza de Roma durante tantos séculos.


Os Discursos não são, porém, obra dedicada apenas à explicação
da história romana. Trata-se de um texto de análise política em que os meandros da vida de um Estado são explicitados em sua lógica própria.


No início de cada livro, Maquiavel dedica um capítulo ou uma introdução (também chamada de “proêmio”) para indicar seus objetivos. Pela análise dessas partes, observa-se que o Livro I aborda o estudo das coisas internas ao Estado romano; o Livro II, os fatos externos a Roma, suas conquistas, suas guerras vitoriosas etc. O Livro III volta-se novamente para os aspectos internos da vida política romana, no intuito de reconhecer os feitos ocorridos na cidade que colaboraram para a sua grandiosidade.É evidente, pois, que a pretensão do projeto maquiaveliano nos Discursos é abarcar todos os fatores que concorrem para a sustentação de uma república.

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