
|
A força política que surgiu do envolvimento
dos participantes culminou na elaboração
e aprovação de um documento, intitulado
Carta de Londrina, que contou como
signatários todas as entidades presentes
no evento, os membros de cada fórum regional
e todos os profissionais, alunos e simpatizantes
da defesa da volta da Filosofia às
escolas. Os coordenadores do Fórum Sulbrasileiro
foram a Brasília, em junho de
2006, entregar a Carta aos representantes do
Conselho Nacional de Educação (CNE), e ao
ministro da Educação, Fernando Haddad.
|
Naquele momento, a petição e a representação
do fórum tiveram caráter nacional,
e pode-se dizer que esse foi o primeiro
gesto político de uma articulação nacional
que reuniu todos os fóruns do País. Em 7
de julho de 2006, o CNE aprovou por unanimidade o Parecer nº 38/2006, homologado
por Haddad, em 11 de agosto de 2006.
Pela formação superior
A aprovação da inserção da disciplina
no currículo brasileiro, porém, traz à tona
problemas que até então estavam camuflados.
Primeiro, para atendermos à necessidade
nacional de professores para o Ensino
Médio, os cursos superiores em licenciatura
filosófica devem ampliar a oferta
de vagas e melhorar em qualidade.
Todos aqueles que abraçam a formação
superior em Filosofia sabem do abismo
que tem separado a Educação básica
do Ensino Superior. Alguns jovens universitários,
interessados em se tornar professores
de Filosofia, logo no início de sua
formação são desestimulados e acabam
por vezes desistindo dessa perspectiva de
trabalho. Outros que poderiam descobrir
aptidões e interesses por esse campo de
atuação nem chegam a vislumbrá-lo. Essa
infelizmente é a realidade de muitos dos cursos superiores, ainda que sejam de
licenciatura filosófica.
Logo, a nova exigência implicará
em um remodelamento dos projetos
pedagógicos e dos currículos dos cursos
superiores. Não será mais possível
que uma parcela dos professores desses
cursos se mantenha alheia à profissionalização
dos seus alunos.
Outro problema que precisaremos
analisar e solucionar é a questão dos
professores que atualmente não possuem
formação superior em Filosofia.
As conseqüências, nesse caso, poderão
ser nefastas, até mesmo ameaçando
a consolidação da disciplina. Segundo
dados da Secretaria da Educação
Básica (SEB/MEC) existem 10.452
professores de Filosofia na rede pública.
De acordo com o Censo Escolar de
2005 existem 23.561 escolas de Ensino
Médio, sendo 16.570 públicas e 6.991
privadas. Esses dados nos oferecem
uma noção do desafio que teremos
pela frente.
|