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A Filosofia retorna ao currículo escolar do
Ensino Médio como disciplina obrigatória
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A obrigatoriedade da Filosofia como
disciplina específica dos currículos
do Ensino Médio foi recentemente
aprovada no Brasil.
Até então havia um contexto legal que reconhecia
a importância dos conhecimentos
de Filosofia e Sociologia como
necessários ao exercício da cidadania,
mas os remetia para a difusa e imprecisa
condição de receberem o que se designava
como “um tratamento interdisciplinar
e contextualizado”, devendo estar desse
modo presentes nos projetos pedagógicos
das escolas.
A situação levou ao surgimento de
uma oposição representada por estudantes,
instituições, pesquisadores, professores
e sociedades ligadas ao ensino. A iniciativa
do grupo convergia na defesa do
retorno tanto da Filosofia quanto da Sociologia
como disciplinas curriculares em
todo o território nacional.
Assim, a partir de meados dos anos 90
ocorreram múltiplos movimentos – espontâneos
ou organizados; contínuos ou interrompidos–, que puderam, cada qual a
seu modo, culminar em conquistas pontuais
ao longo do tempo, gerando um espectro de ação mais amplo, que inspirou
outros movimentos em diferentes graus.
Criaram-se projetos de lei, traçaram-se
políticas públicas nos sistemas estaduais
de ensino e nos Legislativos, e uma série
de atividades passaram a valorizar a formação
filosófica no âmbito da sociedade
civil. Por fim também surgiram os fóruns
regionais de Filosofia e Ensino.
O início no Sul
O mais antigo é o Fórum Sul-brasileiro
de Filosofia e Ensino. Criado no final dos
anos 90, reúne os três Estados da região Sul:
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Inicialmente concebido como Fórum dos
coordenadores de curso de Filosofia, passou
a ser o Fórum dos cursos de Filosofia.
Essa mudança de foco foi fundamental para
quebrar a realidade apática dos cursos superiores
da disciplina no País, pois geralmente
grande parte do corpo docente não
se interessa por questões relativas ao ensino,
muito menos apresenta experiências
práticas na Educação Básica.
A trajetória desse encontro foi acompanhada
de simpósios anuais que procuravam
reunir os professores e pesquisadores que tivessem
contribuição relevante no âmbito
do ensino de Filosofia e mais estritamente
na temática específica. E a cada novo simpósio,
a lacuna bibliográfica sobre o ensino
de Filosofia foi preenchida por um livro,
além dos anais, que continham os textos integrais
de todos os participantes.
E o último simpósio do Fórum Sul-brasileiro – ocorrido na Universidade Estadual
de Londrina em maio de 2006 – acabou
se transformando em um grande
marco da história do ensino
da Filosofia. O evento tinha
como horizonte político
o início das atividades
para a construção de
um Fórum Nacional de
Filosofia e Ensino. Além
disso, pela primeira vez
foi realizado um evento internacional com
dois dos mais significativos nomes mundiais
associados a essa temática: Desidério
Murcho (professor do King's College
London e da Universidade de Lisboa) e
Charles Coutel (professor da Université
d'Artois, na França). |