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EM BUSCA DA VERDADE
 


A
crítica que Nietzsche dirige à racionalidade exacerbada de nossa cultura, à ingenuidade do homem iluminista diante dos poderes da Ciência, à preponderância do caráter apolíneo em detrimento do dionisíaco são alguns dos assuntos abordados.


Finalmente, quando os alunos acreditam que uma posição crítica já está garantida é hora de mostrar a ingenuidade que permeia essa pretensão. A Filosofia novamente se mostra como busca e não como objeto de posse. Agora, o autor é Adorno, e o texto tomado como base é Juliette ou Esclarecimento e Moral, que justamente critica Nietzsche e seu desprezo por um valor universal que orienta o bem comum entre os homens. Nietzsche é então apresentado como o filósofo que incentivou a barbárie moral do mundo contemporâneo, observada, sobretudo, na Segunda Guerra Mundial.


Exemplos do dia-a-dia
Aqui a metodologia segue a mesma lógica já explicitada, mas pretende-se mostrar que a Filosofiaé um exercício permanente que não se esgota em posições já estabelecidas.A disposição para buscar a verdade reaparece com mais profundidade, e a atividade filosófica pode ser vivida mais intensamente.


No Ensino Médio é importante vincular o conteúdo ao exercício filosofante, intercalando a teoria com atividades em que a Filosofia apareça mais corporificada, isto é, unida à Arte, às Ciências ou a eventos cotidianos. O reino das idéias vem habitar teatro, música, cinema, experiências rotineiras ou notícias públicas.


Ligar Filosofia a outros campos do saber demanda participação no ato de pensar, que deixa de ser mera contemplação. É necessário, portanto, que o professor não se restrinja a transmitir as idéias dos filósofos, mas traga elementos da cultura que as alimentem, dando-lhes um corpo que faça sentido para os alunos.


O que tenho em mente ao longo de todo o ano letivo é a Filosofia como busca permanente da verdade e do belo, que jamais são capturados de uma vez. O exercício incessante e o próprio ato de
pensar são capazes de encantar alguns alunos; para despertar esse interesse, o professor não pode jamais sentir-se acomodado, mas deve embarcar junto com eles nessa longa procura. A Filosofia, então, não é acúmulo de erudição, mas ir e vir, movimento incansável do pensamento que num momento efêmero encontra a beleza de uma idéia.

 

Alessandra Affortunati Martins Parente é professora de Filosofia do Colégio Oswald de Andrade.


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