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EM BUSCA DA VERDADE
 

 

 

Com estratégias utilizadas no Ensino Médio explica-se
aos alunos que a Filosofia é um movimento incansável
do pensamento, exercício que não finda


O
ensino da Filosofia sempre criou um impasse: trata-se de exercitar o próprio pensar ou de apresentar o desenvolvimento da tradição filosófica aos jovens alunos? Penso que forma e conteúdo não estão desvinculados. A seleção de textos e filósofos e o modo como estes são trabalhados têm implicação mútua.


Na escola onde leciono Filosofia, apenas o 2º ano do Ensino Médio cursa a disciplina. O curso começa pelos gregos, com a distinção entre mito e logos. O trabalho pretende levar os alunos a perceberem-se como herdeiros da tradição ocidental.Valores e
costumes próprios do Ocidente são discutidos e notamos a presença da Grécia clássica na atualidade.A razão, a política, a abstração, a distinção entre aparência e essência são alguns dos temas discutidos em sala. Identificar valores e diferenciá-los de outros permite o reconhecimento das raízes de nossa cultura.


O autor mais trabalhado é Platão. O estudo desse filósofo se dá por meio das obras Apologia de Sócrates e República. Os alunos são levados a distinguir sofistas de filósofos a partir das diferenças existentes entre retórica, dialética e maiêutica. Com referência no mundo atual eles traçam tanto aspectos comuns como particularidades históricas.


As atividades em sala envolvem o exercício oral de métodos socráticos mediante jogos dinâmicos, nos quais duplas devem discutir temas cotidianos, buscando chegar a uma verdade universal, isto é, a uma idéia perfeita. A atenção do professor concentra-se no percurso do pensamento e nas direções férteis para os debates que devem ser apontados. Muitas vezes a utilização de recursos lúdicos ajuda a compreensão das idéias. Um exemplo pode ser o desenho da imagem descrita por Platão na “Alegoria da Caverna”. O professor também auxilia a visualização da caverna e de seus prisioneiros com um teatro de sombras.

 

A essa altura do curso, o que era aceito como verdade absoluta passa a ser reconhecido como construção humana que pode, por isso, ser repensada. Valores como racionalidade ou bem e mal aparecem em suas origens e passam a ser vistos como possibilidades, deixando de ser regras inquestionáveis. Assim, o trabalho feito com a classe consiste, sobretudo, em identificar esses traços próprios da cultura ocidental, existentes no nosso mundo.


Peça em cartaz
Num segundo momento, o pensamento nietzschiano é apresentado. Dessa maneira, o que havia sido defendido passa a
ser questionado. Nietzsche critica Sócrates e sua busca pela verdade universal. O texto estudado é O Nascimento da Tragédia, trazendo a cultura grega sob nova forma. A tragédia, os deuses e os ideais platônicos são retomados, mas agora o objetivoé desenvolver um olhar crítico diante desse modelo de cultura.


Por vezes temos a sorte de encontrar uma tragédia grega em cartaz na cidade, e assim podemos assistir in loco o tema das aulas. Nesse período, a análise de filmes também é importante, pois os alunos podem aproximar os conceitos a uma linguagem que lhes é mais familiar – o cinema. A música de Wagner tratada no texto nietzschiano é outro elemento que dá corpoà Filosofia. Os alunos procuram então localizar os conceitos nietzschianos nas composições wagnerianas.


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