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RECONHEÇA O VERDADEIRO AMIGO
 


O
objetivo de Plutarco é circunscrever detalhadamente a bajulação. E, para ele, é exatamente nisso que se constitui a prudência. O intuito é perceber quem é e como age o bajulador, pois assim procedendo, podemos nos livrar dele e nos afastar dos seus males. Tal atitude, porém, exige cuidado, pois não se deve afastar um amigo simplesmente pelo fato de ele nos elogiar. Nem todo elogio é procedente de um bajulador. Cabe, portanto, analisar o que seria típico de um bajulador e o que seria típico de um amigo.


Plutarco elenca dois tipos de bajulador: o bajulador declarado e o
bajulador astuto. Segundo ele, devese tomar mais cuidado com o segundo tipo. Afinal, o primeiro, por ser bastante evidente, dispensa muitos cuidados. Já a astúcia do segundo tipo de bajulador repousa no fato de ele parecer amigo. Para Plutarco, aúnica maneira de desmascarar a farsaé analisar a semelhança entre os gostos, pois o que constitui, no seu entender, a essência da amizade é exatamente o gosto pelas mesmas coisas que dividimos com outra pessoa.


Como desmascarar o bajulador
No entender de Plutarco, o bajuladoré uma espécie de imitador barato. Alguém que não possui nenhuma opinião, mas que segue apenas as daquele de quem deseja obter algum benefício. Dessa forma, a primeira maneira pela qual se pode conhecer um bajulador é simular uma mudança de opinião. Diante de tal ato, ele, invariavelmente, muda também a posição, demonstrando, com extrema clareza, o quanto suas opiniões são volúveis e interesseiras.


A segunda maneira pela qual se conhece o bajulador é fácil de perceber se notarmos que o amigo não é aquele que imita nem mesmo aprova tudo aquilo que fazemos. O verdadeiro amigo aprova apenas o bem no seu amigo. O mesmo não ocorre com o bajulador: por isso, o bajulador é semelhante a um pintor ruim, que só consegue reproduzir aquilo que é mau.

 

Outra habilidade do bajulador é sempre tentar destacar, invariavelmente em público, aquele a quem deseja agradar. É parte constitutiva da essência do bajulador o excesso de exposição. Seu comportamento é duplo: ele sempre serve a quem pode lhe satisfazer os desejos. Ele não se importa em ceder seu lugar a um poderoso, desde que este retribua dando-lhe, em contrapartida, aquilo que é o seu objeto de desejo. A visão do bajulador está sempre na aparência das coisas, na sua superfície. Ele jamais consegue enxergar as coisas na sua totalidade ou em sua essência. No seu modo de entender, bastam os detalhes. Por fim, um bajulador jamais será franco com alguém, salvo se isso não desagradar à pessoa a quem deseja bajular.

 

Estratégias astutas
Para Plutarco, o bajulador está sempre no encalço dos homens devido à própria constituição da alma humana. No entender do pensador, a alma humana possui duas faculdades: a intelectual (ligada à razão e às virtudes) e a irracional (ligada aos erros, aos vícios e às paixões). O bajulador atua sobre a segunda faculdade humana, ou seja, sobre a nossa irracionalidade, oferecendo-lhe o
seu combustível preferencial: os elogios envaidecedores.

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