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Ao tratar de temas cotidianos, como a amizade e a bajulação, Plutarco produz uma filosofia sobre a vida pública em oposição às abstrações de Platão e Aristóteles e à indiferença dos estóicos e epicuristas


O
pensador grego Plutarco (~47-120 d.C.) nasceu na cidade grega de Queronéia, na Beócia, e por lá viveu até o final de sua vida. Destacam-se seus estudos em Matemática, Medicina, Retórica e suas viagens pelo Egito, Ásia e Roma. Como cidadão, ele também tomou parte da vida política, participando de diversos cargos importantes do seu tempo.


Seus escritos revelam uma época singular do pensamento grego. Suas reflexões acompanham o período histórico da decadência do mundo romano e o nascimento do cristianismo. Seus trabalhos voltaram-se especialmente para os assuntos morais e, por esse motivo, convencionase intitulá-lo como um dos primeiros moralistas. Dentre suas obras podemos destacar Moralia e As Vidas Paralelas (onde ele aborda, por meio da análise dos dramas individuais, a obra de importantes personalidades gregas e romanas).

 

Males do amor-próprio
A filosofia de Plutarco configurase como oposta às abstrações platônicas e aristotélicas e igualmente contrária à indiferença dos estóicos e epicuristas em relação à vida pública. O apego de Plutarco ao subjetivo e a ligação deste com a vida social fazem do pensador um dos autores prediletos de Montaigne, Shakespeare e Schiller.

 

Como distinguir o amigo do bajulador é um dos 83 textos que compõem a obra Moralia. Consiste em um trabalho rico em citações de filósofos, das tragédias e da mitologia gregas. Ao tentar abordar a distinção entre o bajulador e o amigo, Plutarco inicia o livro explorando o tema do amor-próprio. Segundo seu entender, o amor-próprio, que é algo importante na vida do ser humano, está no limite entre a temperança e a desmedida, que pode ser caracterizada aqui como vaidade. O excesso de amor-próprio é a causa de muitos problemas e, por isso, todo excesso deve ser combatido como um desequilíbrio que ocasiona a doença do corpo.


Tal vaidade facilita o aparecimento dos bajuladores. Plutarco não se preocuparia com a bajulação se esta atingisse apenas os homens vis ou pobres. Entretanto, ela é destinada sempre aos poderosos, uma vez que são esses que possuem as coisas desejadas pelo bajulador ou que, por uma questão de poder ou prestígio, podem ajudar os bajuladores a obtê-las. Tal afirmativa do filósofo deve ser compreendida dentro do contexto do Império Romano. Em Roma, era comum o uso da bajulação na vida pública, nos tribunais e nos discursos. O apelo retórico e a deturpação da própria retórica, por meio do exagero, tornam-se, no entender do pensador, a causa da ruína de muitos impérios.

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