newsletter
 

nome:

e-mail:













 
EMMANUEL LÉVINAS: ÉTICA E ALTERIDADE
 

 

O centenário de nascimento do filósofo judeu lituano
anima a reflexão sobre seu pensamento: o indivíduo
só passa a ser humano ao
se completar no próximo


N
este ano comemoram-se os 100 anos de nascimento de Emmanuel Lévinas, filósofo que se dedicou a discutir questões relativas à Ética. Ele foi o introdutor da Fenomenologia na França, fato este por muitos ignorado. Durante a Segunda Guerra Mundial, na qual serviu no exército francês, foi feito prisioneiro, experiência que, somada ao acontecimento do Holocausto, inevitavelmente marcou toda a sua filosofia posterior.


Em certa medida, a pergunta que perpassa a obra de Lévinas é se ainda podemos pensar temas como a Ética, o infinito, o Bem, Deus, a religião, a justiça, a verdade após os conflitos que tão drasticamente marcaram a história recente da humanidade. Ainda
há esperança para o ser humano?


Certamente há esperança, dirá Lévinas. É preciso, no entanto, fixar a atenção sobre um problema filosófico que até então não havia sido considerado na medida exata e sobre as implicações desse problema em nossa existência e em nossas relações: a questão da alteridade. O humano surgirá daí.


Lévinas figura hoje como um dos filósofos mais importantes do século 20. Aluno de Husserl e de Heidegger e influenciado tanto pelos clássicos da literatura russa – como Gogol, Púchkin e Dostoiévski – quanto por Maurice Blanchot, Bergson, Wahl, Buber, Rosenzweig e pelas leituras da Bíblia e do Talmud, Lévinas é detentor de um pensamento exigente, contumaz e inquietantemente singular. A marca desse pensamento consiste em ser uma profunda crítica aos fundamentos da tradição filosófica do Ocidente, que produziu uma razão desmedida, auto-suficiente e, por conseguinte, capaz de atos de violência contra o outro. A sensibilidade filosófica de Lévinas conduziu-o, em resposta, a um humanismo, mas a um humanismo do outro homem.

 

O outro, a alteridade, é para ele o começo do filosofar, o fundamento da razão, e mais, o sentido do humano e a possibilidade de realização da justiça e da paz. Sua questão é por excelência uma questão ética. E a Éticaé, para ele, o móvel por excelência da Filosofia. A Ética é a Filosofia primeira, afirma Lévinas com todas as letras e com toda a força de sua expressão.


Um pressuposto que vai de encontro à ontologia fundamental de Heidegger, à razão absoluta de Hegel, ao solipsismo cartesiano, à autonomia da razão kantiana e até mesmo à reciprocidade dialógica de Buber. Mas é, sobretudo, o “embate” com Heidegger e a crítica à totalidade que merecem especial atenção nos seus textos.


O próximo e seu mistério

Poderia soar como um pleonasmo o anúncio do título da obra capital de Lévinas, publicada em 1961, Totalidade e Infinito. No entanto, totalidade e infinito não são termos redundantes e sim inconciliáveis. Todo o pensamento ocidental, analisa Lévinas, está sob a égide da totalidade, que se define pela impossibilidade da alteridade. A marca da totalidade é o fratricídio, o estado perene de guerra, a luta de todos contra todos vislumbrada por Hobbes.

<< voltar - próxima>>



Copyright © 2005
Escala Educacional