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O interesse de alunos do Ensino Médio
incentivou a criação de um grupo de estudo e
reflexão que se pautou pelo entusiasmo e
permitiu a construção
coletiva do saber
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No fim do ano letivo de 2003, uma de minhas alunas da 2ª série do Ensino Médio me procurou e propôs
formar um grupo de estudos, já que o curso de Filosofia, na nossa escola, termina na 2ª série do Ensino Médio.
Estudantes manifestando interesse por Filosofia e tomando iniciativa de formar um grupo para aprofundar
seus conhecimentos? Esse acontecimento não podia ser desperdiçado por um professor.
Surgiram, então, os Encontros Filosóficos. Tais reuniões tinham por objetivo analisar filmes sugeridos
pelos alunos e desenvolver reflexões filosóficas sobre os conteúdos dos filmes. A sugestão partiu dos alunos.
Evidentemente porque eles transitam com mais tranqüilidade na linguagem cinematográfica. Além
disso, essa linguagem já era uma referência adotada nas aulas regulares, amparada por textos que complementavam
as reflexões e análises. Os filmes eram sugeridos pelos alunos e escolhidos por mim mediante
avaliação que verificasse a pertinência dos temas filosóficos.
Inicialmente, o grupo seria formado por estudantes de 3ª série. Mas a realização dos encontros foi sucedendo
e alunos de outras séries, ao tomar conhecimento das atividades, demonstraram interesse em participar.
Decidimos convidar os demais. Nas reuniões exibia-se o filme escolhido e, em seguida, dava-se a reflexão
coletiva, sob minha coordenação, para mantê-los dentro das especificidades do pensamento filosófico.
Catarse aplicada
A dinâmica dos Encontros Filosóficos se estruturava no princípio, denominado por Aristóteles, de catarse.
As reflexões eram elaboradas a partir das sensações e percepções tidas em relação à obra de arte em
questão. As emoções incentivavam as indagações. A serenidade e a sensação de equilíbrio se estabeleciam,
para assim contribuir com o entendimento dos pensamentos elaborados. Dessa maneira, as reflexões
pareciam adquirir muito mais significado para os alunos. Eles se preocupavam em manter a estrutura
rigorosa dos pensamentos filosóficos aprendida nas aulas regulares de Filosofia.
Os encontros se estenderam e, inevitavelmente, o teatro foi inserido no universo das reflexões filosóficas;
o que foi permitido pelo desenvolvimento de estruturas de reflexões que podem ser aplicadas para
qualquer categoria artística. O teatro é uma possibilidade de Arte para análise filosófica. O grupo começa
a freqüentar peças de teatro como
O Canto de Gregório, de Antunes
Filho; Regurgitofagia, de Michel
Melamed e Hygiene, do Grupo XIX
de Teatro. A possibilidade de dialogar
com atores e diretores enriquece
a experiência desses alunos,
assim como amplia os referenciais
culturais deles. Os objetivos
desses encontros começaram
a se expandir. |