newsletter
 

nome:

e-mail:













 
HERÁCLITO NO DIVÃ
 

 

 

 

 

O pensador pré-socrático passou por diversas releituras,
entre elas a de Nietzsche,
que o considerava o filósofo saudável por excelência


O
s filósofos pré-socráticos são assim denominados não pelo fato de terem vivido antes de Sócrates (470-399 a.C.), mas por terem discutido temas que Sócrates praticamente desconsiderou ou até rejeitou. Ele não deu importância, por exemplo, à cosmologia, e se preocupou o tempo todo com o homem. Enquanto isso, os pré-socráticos ansiavam por mostrar um princípio único para o cosmo. Queriam ver e seguir a physis, ou, como diríamos hoje, a natureza.


Três filósofos do nosso tempo tiveram interesse especial pelos
pré-socráticos: Martin Heidegger (1889-1976), Karl Popper (1902-1994) e Friedrich Nietzsche (1840-1900). Suas interpretações sobre os pensamentos desses gregos giraram em torno justamente da questão da cosmologia como um modo de fazer filosofia.


Historiadores da filosofia inspirados em Heidegger dividiram os pré-socráticos em jônios e eleatas. O principal objetivo dos primeiros, entre os quais se inclui Heráclito (535-475 a.C.), seria a construção de uma cosmologia. Já o dos segundos seria fazer ontologia. Parmênides (539-469 a.C.) era um deles. Heráclito teria ficado na physis, já que elegeu o fogo como elemento que melhor poderia caracterizar o cosmo. Este, enfim, nada seria senão a transformação contínua, o fluxo do devir. Parmênides, por sua vez, ao dizer que “o ser é e o não ser não é”, teria fixado o reino daquilo que é – o ser – e, portanto, a noção de como o nosso verbo expressa a lógica das coisas e, então, as coisas propriamente ditas.

 

O filósofo austríaco Karl Popper discordou da interpretação de um Parmênides ontólogo. Para ele, o pensador grego teria sido um cosmólogo e estaria envolvido, preanunciando os modernos, em questões relacionadas à investigação sobre o conhecimento. A defesa de tal idéia estaria no fato de Parmênides ter escrito o seu poema em forma dupla: de um lado o Caminho da Verdade; de outro o Caminho da Aparência.
Ao aconselhar que todos viessem a seguir o primeiro caminho, o do “ser” – daquilo que é –, ele teria apontado para a produção do que, depois, com Platão (427-347 a.C.), ficou definido como o conhecimento: crença verdadeira bem justificada. Do que é, poderíamos falar e, então, ter o verdadeiro. Do que não é, nada poderíamos dizer. Ao pegarmos o caminho da aparência, estaríamos nos afastando da possibilidade de termos conhecimento, pois não teríamos a verdade, nem mesmo nenhuma justificativa. Não teríamos conhecimento.

 

O filósofo sadio
Nietzsche foi quem deu subsídios a Heidegger para a interpretação dos pré-socráticos. Mas sua interpretação tem especificidades. É visível que o filósofo que mais o impressionou entre os pré-socráticos foi Heráclito, considerado por ele o mais vibrante, pois o mais não-socrático
dos pré-socráticos.

<< voltar - próxima >>



Copyright © 2005
Escala Educacional