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ADEUS ÀS FIGURAS
 

 

 

Idéias perfeitas
Em meio a essa famosa divergência dos dois grandes filósofos gregos sobre o estatuto da representação artística, cabe dizer que a tradição ocidental em artes tenta conciliar as duas posições, com o que a maior parte do fazer artístico-figurativo, sobretudo no Renascimento, dá testemunho.

Curiosamente, os pintores seguiam a dignidade do conceito de
imitação de Aristóteles, porém pretendiam de algum modo apresentar em suas obras uma Idéia perfeita do imitado. A pretensão era imitar o modelo mesmo das coisas e expô-lo diretamente na tela. Daí os estudos de anatomia, de matemática, a descoberta da perspectiva, do claro-escuro, como suporte para uma pintura científica, cujo resultado são os espantosos monumentos à beleza, e que ainda hoje vemos em museus, instituídos no Renascimento, ápice da figuração. São os casos, para citar dois pintores que se ocuparam preferencialmente com o rosto e a anatomia do corpo humano, de Correggio (1490-1534) e Michelangelo (1475-1564).

 

Por outro lado, a figuração mimética em busca da exposição perfeita de um objeto também passa pelo gênero paisagem, neste caso levado ao seu limite de realização pelos neerlandeses (flamengos, atual Holanda), dos quais podemos citar Ruisdael (1628-1682).


Ao representar um rosto, um corpo humano ou uma paisagem (esta com ou sem pessoas), o artista procura a mímesis perfeita, o ideal em arte, por meio da ordem, proporção e grandeza adequadas. Numa palavra, ele procura instituir uma obra de bela-arte figurativa, espelho fidelíssimo da natureza íntima das coisas.


O real na foto
Porém, com a invenção do daguerreótipo e da fotografia, como adiantamos, pode-se dizer que uma crise é alimentada nas artes figurativas. A fotografia aparentemente realiza com perfeição e de um só clique aquilo que a pintura procurou realizar com tanto estudo e empenho, embora sempre deixando alguma dúvida sobre a imitação perfeita, isto é, se a cor era adequada, se a luz era fiel, se a figura foi bem desenhada, se o objeto refletia a realidade ou a antecipava, e onde estaria ou não a verdade dessas realizações.


A impressão de realidade da fotografia, ao contrário, é tão grande, que parece não haver dúvidas de que uma foto de fato representa o seu modelo. Basta pensar na exigência de fotos em documentos de identidade, passaportes, ou como elas representam pessoas em sítios de relacionamento em internet, como o Orkut: não se vê em tais exemplos um rosto representado por desenho ou pintura.

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