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A REALIDADE DESAFIA A REFLEXÃO
 


F
ilosofia como produto?

Nesse caminho, devemos estar dispostos a enfrentar dois riscos. O primeiro pode ser ilustrado por uma música dos Engenheiros do Hawaii chamada Fusão a Frio, que diz: “Ninguém sabe como serão os filhos desse casamento/ indústria da informação + indústria do entretenimento, / Promessas de fusão a frio, diversão e conhecimento, / a única escolha que temos é a forma de pagamento”. Ou seja, o risco é transformar a filosofia em mais um produto, em mais uma imagem: não podemos esquecer que estamos tentando usar a música para filosofar, e não o contrário. Precisamos então ter claro qual é o nosso objetivo e, se pudermos alcançá-lo combinando diversão e conhecimento, tanto melhor.


O segundo risco é o de fracassar. Podemos preparar uma aula que consideramos muito boa e, no entanto, fracassar. Como na filosofia não temos “conteúdos fechados”, o professor está sempre em jogo e, por isso mesmo, não deve ter medo de errar. Em certo sentido, errar é essencial: é estar a caminho, é arriscar-se e estar aberto para também acertar. A filosofia exige que se assuma esse risco, que se torna menor à medida que cada professor consegue aperfeiçoar seu próprio método.


O Brasil começa a se acostumar com a democracia e também desperta para a idéia de que precisa se reinventar como sociedade democrática: a ditadura não veio de Marte, nem a corrupção, nem a desigualdade social, etc. A cultura deve ser questionada, caso se queira criar alternativas e caminhos de transformação. Não acredito que a filosofia, tomada como produto de erudição ou como questionamento escapista, possa contribuir para a democracia. O desafio do diálogo com a realidade é algo de que a filosofia não se pode furtar.


Marcos Carvalho Lopes é filósofo e professor. Alguns de seus textos estão no site www.sarma.cjb.net

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