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Entre os gregos antigos muito
se escreveu sobre o pensamento
trágico, mas a idéia de pessimismo
mesmo não houve. Em praticamente
todas as tragédias gregas
há catástrofes e conclusões
infelizes, vide Édipo Rei.
Entre os padres medievais, houve um apologista chamado
Arnóbio de Sica que escreveu sete
livros intitulados Adversus Nationes,
nos quais defende que os
males superam os bens e é por
este motivo que acontecem tantas
desgraças no mundo. Arnóbio
também acredita que essas mesmas
infelicidades existiriam se o
homem não existisse.
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Entre os modernos podemos chamar de pessimistas os reconstituidores do ceticismo como
Montaigne e Voltaire, com suas
investidas contra o cristianismo
e contra o otimismo de Leibniz,
por meio do livro Cândido.
Na literatura encontramos
muitas variações pessimistas. Johann
Wolfgang Goethe (1749-1832), aclamado escritor alemão,
autor de Fausto e Os Sofrimentos
do Jovem Werther; Charles Baudelaire
(1821-1867) e seu As Flores
do Mal; o brasileiro Augusto
dos Anjos (1884-1914), autor de
Eu, de grande inspiração schopenhaueriana;
e ainda escritores como
Thomas Mann, Leon Tolstoi,
Fiodor Dostoieviski e Lord Byron.
Ainda que estes últimos não fossem
autores pessimistas, suas
obras refletiam essa atmosfera.
A paternidade do pessimismo
absoluto e metafísico é atribuída
ao filósofo alemão Arthur
Schopenhauer (1788-1860), por
meio da obra O Mundo como
Vontade e Representação. Schopenhauer trabalhou com a concepção de que não há realização
ou felicidade completas neste
mundo, que seria apenas uma
pseudo verdade e, por isso, nos
enganamos enquanto vivemos.
Schopenhauer diz que “este é
o pior dos mundos possíveis”,
que “era melhor não ter nascido”
e “toda vida é sofrimento”.
Com base no autor alemão,
outros pensadores começaram
a testemunhar o modo de vida
pessimista e sua intrínseca ligação
com a filosofia. Entre eles,
teríamos Eduard von Hartmann
(1842-1906); Søren Kierkegaard
(1813-1855); Friedrich Nietzsche
(1844-1900); Max Horkheimer
(1895-1973); Miguel de
Unamuno (1864-1936); Martin
Heidegger (1889-1976) e Emil
Cioran (1911-1995). |