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A reflexão sobre o predomínio do
estado negativo das
coisas é recente,
com paternidade
atribuída a Schopenhauer
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De que modo encarar a vida e
ver nela a esperança? É dessa
forma que muitos pensadores
desde a Antiguidade clássica pensam
a vida. O pessimismo filosófico é uma expressão no entanto
nova, mas ensejada desde os gregos
antigos que envolviam a indiferença
na ausência de prazer.
A palavra “pessimismo” significa, no geral, crença de que
o estado das coisas, em alguma
parte ou em sua totalidade, é o
pior possível. Foi entendido como
uma antítese ao otimismo
prático, sendo um termo profundamente
recente que adquire
sua primeira instância por volta
do fim do século 18, figurado
em Georg Christoph Lichtenberg
(1742-1799), Jacques Mallet du
Pan (1749-1800) e Samuel Taylor
Coleridge (1772-1834). Só será
enfocado como experiência de vida
e realmente retratado pela primeira
vez no século 19, com os
poetas Giacomo Leopardi (1798-1837) e Lord Byron (1788-1824).
Podemos ainda definir o pessimismo
em algumas esferas: o
pessimismo absoluto, que é o
desprovido de sentido na vida,
no qual tudo gira contra si e efetivamente
não há nada no mundo
que possa trazer algum bem; o
psicológico ou prático, que é uma
atitude subjetiva na vida como revolta ao mundo fomentada por
um sentimento ferido com complicações
psíquicas influenciadas
pela depressão, angústia, etc.; e
o pessimismo teórico ou metafísico,
tornado objetivo pela prática
da razão e da insatisfação da
vida como ela é – vivenciá-la com
a consciência de que nada se pode
fazer para melhorar. Diferentemente
do absoluto, que pode levar
ao suicídio, o metafísico leva
o homem a uma atitude metódica
perante a vida e a seus valores.
Um pessimismo que não deixa
de ser metafísico é o pessimismo
bíblico, representado na
história de Israel, espécie de paralelo
com o sofrimento humano,
desde o infortúnio de Abel até a
violenta morte de Jesus, deixando
vestígios de uma idéia de sofrer,
como em Jó e Jeremias.
O termo “melancolia” é um
termo de origem grega que significa tristeza sem motivo. A melancolia
pode ser entendida como
um sentido de ter algo a realizar,
mas falta a compressão do que é
este algo. O paradigma melancólico
está intimamente ligado à reflexão
sobre o corpo, é no corpo que
ocorre a melancolia – nas tessituras
da constituição do corpo que
surge a melancolia. O pessimista é levado à melancolia por meio da
angústia e do desespero, consumido pelo sofrimento de uma dor
que o faz entender sua infelicidade
perante o mundo e a vida, surgindo
o tédio e a solidão.
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