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O HOMEM EM QUESTÃO
 

 

A cultura cristã, desde a medievalidade, perdeu muito de sua força. Ela deu lugar aos renascentistas, com seu culto à cultura clássica; aos modernos, que instauraram a ciência com poder prático; e aos iluministas, que viam a razão como antídoto para a superstição e como guia para a solução dos problemas sociais, políticos e morais do homem. Mais recentemente, assistimos ao surgimento das ideologias totalitárias.

 

Todo esse contexto mostra que, até bem pouco tempo, a história humana foi sacudida por grandes verdades que guiavam o homem,

verdades reveladoras e destruidoras, que faziam parte do cotidiano de toda gente. Homens e mulheres se entendiam com base em idéias sobre si mesmos, sobre sua consciência e compromisso, sobre o que os aguardaria e deveriam fazer. Até bem poucos dias, se alguém desejasse ofender outra pessoa, diria que ela é um jansenista, um molinista, um comunista, um burguês; homens não eram separados das idéias que defendiam! Mas, hoje, o que restou dessas longas tradições de reflexão (certas ou erradas) sobre o destino do homem? Não resta dúvida de que ficou muito pouco.


O homem tornou-se um mero sobrevivente, imerso em determinações irrefletidas sobre a busca da felicidade dada. Quando se pensam projetos educativos e de vida individual, as pautas são sempre, como se diz, “focadas no mercado”, nas “demandas”, naquilo que o mercado oferece em termos de empregabilidade. O que se ignora, infelizmente, é que um projeto educativo e pessoal conseqüente é aquele que não pode deixar de lado o estudo das condições em que poderíamos extrair o melhor de nós mesmos, de modo que alcancemos nossa perfeição. Para isso, a cultura filosófica é de suma importância.


Nosso tempo é um tempo de homens absorvidos, esquecidos de si mesmos. E uma tarefa que parece crucial, e que marca a importância da cultura filosófica neste momento, é acender novamente a chama do pensamento em torno da finalidade da vida, é perguntar pelo destino do homem – uma questão que precisa, urgentemente, ser recolocada no horizonte das nossas preocupações.•

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