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A educação e a cultura contemporâneas
carecem de questionamentos sobre
a existência e a realidade humanas
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A filosofia vem atraindo uma atenção cada vez
maior da opinião pública. Apesar dessa valorização
e desse interesse, ainda pairam muitas dúvidas
quanto ao papel do pensamento filosófico
tanto no ensino público fundamental quanto nos
projetos pedagógicos dos currículos do ensino médio
e superior. Que contribuições a filosofia poderia
dar para a educação?
Podemos pensar a filosofia como um tipo de investigação
particular na qual se busca o conhecimento
e a reflexão sobre o destino do homem, sobre
a finalidade da vida, sobre aquilo que devemos
fazer de nós mesmos para alcançarmos o ideal de
vida. Essa idéia da filosofia como magistra vitae,
ainda que um tanto vaga, parece parte daquilo que
está subentendido quando se pensa na figura do filósofo como amigo da sabedoria, como um personagem
que deseja saber como viver e pretende que
essa vida seja de felicidade dentro da verdade, isto é, a felicidade acima de qualquer ilusão ou convenção.
Tendo como base essa idéia, é possível extrair
uma indicação da importância da filosofia na
educação e na formação do pensamento em torno
da condição humana no presente.
Felicidade comum
Kant afirma na introdução de sua pedagogia
que o “homem não pode tornar-se um verdadeiro
homem senão pela educação. Ele é aquilo que
a educação dele faz”. Essa passagem coloca pelo
menos três ordens de problemas: a) O que é o homem
verdadeiro?; b) Como a educação pode tornar
alguém um homem verdadeiro?; e c) A tarefa
de conduzir, no sentido de educere, até a verdadeira
finalidade da existência pela educação pode
ainda ser pensada como possível?
O próprio Kant lamentava que, com a educação
de seu tempo, o homem não atingisse plenamente
a finalidade da existência. E, nós, hoje, o
que podemos dizer disso?
Inicialmente, é preciso lembrar que esse tipo de
reflexão acerca da finalidade da vida nem sequer
passa pela cabeça da maioria das gentes, mesmo
dos educadores. Sem parecer exagero, é possível
afirmar que, antes de indagar qual deve ser nosso
destino e quais são os meios de que dispomos para
alcançá-lo, a preocupação central quando se pensa
em educação está voltada para a garantia de que as
gerações mais jovens (os filhos) possam fazer uma “boa figura” no mundo, possam alcançar certa felicidade
comum, ditada pelos padrões da época. Como
estes são padrões de consumo crescente, a vida
passa a ser então organizar as coisas no plano emocional
e material, para que nada fique faltando. Felicidade
material e felicidade emocional.
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