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Da indução à dedução
A ciência tem como meta o estabelecimento de
leis gerais, relativas aos universais, obtidos por meio
desse processo de apreensão e classificação da realidade.
Esse tipo de raciocínio, por meio do qual é possível
generalizar as observações particulares para produzir
os universais de que tratam as ciências, é denominado “indução” ou “raciocínio indutivo”.
De acordo com a teoria aristotélica, os conceitos
obtidos por meio da indução serviriam como ponto
de partida para a aplicação dos raciocínios dedutivos,
nos quais as leis gerais seriam novamente aplicadas à
solução de problemas particulares, por meio de procedimentos
preestabelecidos e considerados seguros.
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Após as etapas preliminares de observação e formulação
de explicações, o cientista teria a sua disposição
um conjunto de leis por meio do qual poderia
prever o comportamento da natureza em situações futuras.
Assim, quando pegasse uma pedra, não precisaria
soltá-la para saber que iria cair. Bastaria conhecer
a definição de corpo pesado para saber que a pedra se
encaixa na “regra geral das pedras que caem”.
Segundos Analíticos se tornou uma obra bastante
difundida no fim da Antiguidade. Mais tarde, com
a queda do Império Romano do Ocidente, o estudo
da filosofia entrou em declínio no mundo ocidental. O
período subseqüente corresponde ao chamado Renascimento
do mundo árabe, época em que as obras de
Aristóteles e de outros autores antigos foram alvo de
estudos cuidadosos e detalhados por parte de filósofos
de língua árabe como Alhazen, Averróis e Al-Biruni.
Graças a esses estudos, uma parcela significativa
dos trabalhos de Aristóteles foi preservada, podendo
ser retomada no Ocidente por ocasião das Cruzadas.
A partir do século 12, Segundos Analíticos passaram
a ser amplamente comentados, situação que
iria perdurar mesmo entre os autores do século 17.
Problema da indução
A contribuição que Popper vem trazer para a
ciência é a formulação do problema da demarcação. Ele retomou uma crítica mordaz feita na Idade
Moderna ao método indutivo proposto por Aristóteles.
Já o filósofo iluminista escocês David Hume
(1711-1776) observou a existência de um erro lógico
no processo indutivo, visto que, ainda que se observasse
um grande número de vezes a repetição de
um dado fenômeno, nada garantia – a rigor – que
as coisas se comportariam da mesma maneira em
situações futuras. Em outras palavras: quando se
derivava uma lei geral de um conjunto necessariamente
finito de observações, era preciso considerar
a possibilidade de que no futuro pudessem ser produzidas
observações diferentes e mesmo conflitantes
com as anteriores. |