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A CIÊNCIA E O CONHECIMENTO
 

 

 

 

 

Aristóteles, Hume, Popper e a busca da verdade por meio da experimentação

 

No início do século 20, um dos problemas mais importantes da filosofia da ciência era o que foi chamado “problema da demarcação” pelo filósofo Karl Popper (1902-1994). Na época, discussões acaloradas sobre novas teorias em diferentes campos – como a relatividade de Einstein, o marxismo de Marx ou a psicanálise de Freud – criaram um ambiente favorável para a tentativa de estabelecer uma distinção clara entre o conhecimento científico e o pseudocientífico.


Procurava-se uma resposta que definisse o que exatamente era a ciência. Ou, em outras palavras, o que caracterizava o conhecimento científico, para distingui-lo da mera opinião. A questão, que naquela época já se estendia por mais de 2 mil anos, ainda hoje alimenta um debate intenso.


Conhecimento verdadeiro
Para entender a evolução desse pensamento é preciso retomar Aristóteles, filósofo grego (384-322 a.C.). Foi professor de Alexandre, o Grande, que admirava ciências e artes, cujo império se estendeu dos Bálcãs até a Índia, incluindo o Egito e as terras hoje pertencentes ao Afeganistão. Aristóteles foi autor de uma obra especialmente dedicada à noção da explicação científica chamada Segundos Analíticos. Nela procurou esboçar os critérios que deveriam ser satisfeitos por um discurso que almejasse alcançar a “verdade” – algo mais forte do que a simples consistência lógica a ser contentada por todo e qualquer discurso, científico ou não. Assim, para que uma afirmação fosse científica, deveria corresponder a alguma coisa que existisse no mundo.

 

Não há inconsistência lógica em dizer que “a garça é negra”, por exemplo. No entanto, observamos no mundo que as garças são brancas, e por esse motivo a afirmação “a garça é negra” é falsa, apesar de consistente. Aristóteles também observou que o conhecimento científico deveria explicar a causa por que alguma coisa acontecia: não bastava saber que as pedras caíam, também era preciso explicar a sua queda a partir de uma causa, que na física aristotélica era a tendência que os corpos pesados tinham de se mover em direção ao centro do mundo, seu lugar natural.


Aristóteles acreditava que a primeira fonte de todo conhecimento era a “sensação”. Ao utilizarmos nossos cinco sentidos travaríamos contato com o mundo e, por meio da memória, poderíamos acumular aquilo que ele chamava “experiência”. Então a sensação nos mostraria objetos particulares, como um carro ou uma casa. Ao perceber esses objetos, conseguiríamos distinguir neles aquilo que é comum a todos os elementos de um determinado gênero, de maneira que formaríamos conceitos em nossa mente, como os conceitos universais de “carro” e de “casa”. Estes deveriam abranger todos os objetos ou fenômenos de um mesmo tipo e, ao mesmo tempo, fornecer as características necessárias para a compreensão daquilo que significavam. Quando se observa a queda de um corpo pesado, tal qual o exemplo da física aristotélica, é possível compreender que o movimento em direção ao centro do mundo não depende das características particulares daquele corpo, mas resulta de sua natureza enquanto corpo pesado. Do mesmo modo, a partir da observação do movimento circular de cada corpo celeste, era possível formular uma lei geral, segundo a qual todos os corpos celestes seriam dotados de movimento circular – e para essa constatação geral deveria ser procurada uma causa. No caso, a eternidade dos céus, que se conformava à característica geométrica das órbitas circulares de não alteração das distâncias dos astros até a Terra, considerada então o “centro do mundo”.

 

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