|
Ministrando aulas para o 1º e o 2º ano do ensino
médio na rede estadual, planejei treinar com
os alunos habilidades de leitura e compreensão de
textos filosóficos, aprofundando simultaneamente
questões relacionadas aos temas seguintes: política,
democracia e violência (1º ano); ideologia, TV
e cinema (2º ano).
Parti do pressuposto que as atividades com
os textos deveriam ser feitas sempre em sala de
aula, sendo oferecidas condições para que todos
participassem — o que implica avançar em uma
ordem crescente de dificuldade e estabelecer objetivos
modestos. A intenção era fomentar a percepção
do problema tratado no texto, a solução dele
e a articulação das idéias e dos conceitos. Procurei
estimular esse exercício, principalmente, questões
elaboradas para exigir reflexão e posicionamento
individual para a resposta, bem como redações em
que a opinião deveria ser acompanhada de argumentos.
Na explicação dos textos, procurei mostrar
que estes afirmavam algo, que era sustentado
argumentativamente, evitando o discurso prolixo.
Na escolha dos temas, observei o que poderia interessar
os jovens, partindo da realidade concreta,
com o fim de promover uma relação inquisitiva entre
eles e o mundo que os cerca.
Inicialmente, os alunos não entenderam muito
bem a proposta, pois estão habituados a “achar
respostas” de questões em textos, de forma quase
automática, sem realizar uma intelecção verdadeira
sobre o que está redigido. À medida que passavam
os bimestres, o objetivo ficou mais claro,
arrisco dizer que eles compreenderam o que estava
sendo proposto. É preciso, porém, observar
as nuanças disso, pois apenas os alunos que já tinham
um histórico de dedicação aos estudos deram
mostras de ter aproveitado bem os exercícios.
Com efeito, percebi, de modo geral, muito embaraço dos alunos em extrair conseqüências de premissas
dadas, em combinar e diferenciar idéias e
em enxergar de modo abstrato o objeto de estudo.
O resultado a que cheguei foi, portanto, duplo: por
um lado, houve a compreensão de que a filosofia
explica o mundo de uma forma diferente, específica, e, por outro, resta ainda a dificuldade em adentrar
essa forma e interiorizá-la.
|