newsletter
 

nome:

e-mail:













 
ISSO É ESPARTA
 

 

 

 

 

 

 

Os comandados de Leônidas na Batalha das Termópilas servem de exemplo do conceito
nietzschiano de “vontade de poder”

 

Ao assistir ao filme 300 percebi que, se há vida, ela tende a derramar-se na alegria e na construção, no combate e na destruição. O que vi na tela foi a figuração de um importante conceito da filosofia nietzschiana: a vontade de poder. Todavia, não farei análises a respeito da graphic novel desenhada e escrita por Frank Miller, nem sobre as incoerências históricas por ele provocadas e que foram transpostas para a telona no longa-metragem dirigido por Zack Snyder. Importa mais o conceito nietzschiano e como ele transparece no filme.


Vemos em cena 300 espartanos, comandados pelo rei Leônidas, marchando para o estreito desfiladeiro de Termópilas (literalmente, “portas quentes”) contra o exército persa, sob o comando do rei Xerxes. Os espartanos sabiam que rumavam para a morte. Onde, então, está a questão da vontade de poder?

 

Comentando o seu primeiro livro (O Nascimento da Tragédia) no Ecce Homo (aforismos 1 a 3), Friedrich Nietzsche (1844-1900) afirma que os gregos superaram seu pessimismo mediante a arte
trágica como gênero poético-musical. Não significa, contudo, que eram “otimistas” no sentido frouxo que damos a esta palavra. O grego antigo tornou-se dionisíaco. Este caracteriza-se por ser trágico, pois vê a existência como prazerosa, alegre, mesmo em meio ao sofrer mais duro, absurdo, estranho e questionável que esta mesma existência comporta. Sem fugir do sofrimento, o homem dionisíaco afirma a vida indestrutível e jubilosa.

 

Não poderia ser diferente para os antigos. A existência dos helenos era muito dura: viviam sempre à sombra de invasões por outras nações, em uma terra pouco fértil. Poderiam ter se transformado em um povo temeroso e pessimista. Não foi o que aconteceu: afirmaram a si mesmos com toda coragem de que eram capazes, sem negar o real em que viviam. Força e dureza tomaram conta deles porque era preciso sobreviver.

 

Observe-se no filme a entrada de gregos vindos da Arcádia – uma região difícil de viver devido ao seu solo pobre – para combaterem junto com os espartanos. Poderiam ter saído dali homens valorosos, mas eram pessimistas e covardes, e como soldados, inexperientes. Aí se observa o enfraquecimento da vontade.

<< voltar - próxima >>



Copyright © 2005
Escala Educacional