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A redescoberta póstuma
A morte de Bergson, em 4
de janeiro de 1941, marca uma
mudança. A ausência de comemoração
da ocupação alemã e
o anti-semitismo de Estado tornam
ainda mais significativa a
homenagem prestada a ele por
Paul Valéry (1871-1945) na Academia
Francesa, quatro dias após
sua morte.
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Sem pretender discutir
sua filosofia, Valéry destaca
suas linhas essenciais e o chama
de “último grande nome da história
da inteligência européia”.
Divulgado em muitos países, esse
texto se torna um símbolo da
resistência à ocupação nazista da
França. A Revue de Métaphysique
et de Morale consagra um número
especial a Bergson, e a maioria
dos autores adota uma postura
crítica, como se fosse necessário
anotar os limites de uma filosofia que tinha marcado tão fortemente
os espíritos numa época
em que a ideologia dominante
procurava estigmatizá-los. A Revue
Philosophique de la France et
de l’Étranger também consagra a
Bergson um número especial em
tom de homenagem. Sob a direção
de seu sobrinho, Floris Delattre,
a publicação passa a ser
intitulada Études Bergsoniennes
e torna-se o primeiro número de
uma série que até hoje tem um
papel de destaque na difusão do
pensamento bergsoniano.
Imediatamente após a guerra
começa um novo período na
recepção da obra do filósofo,
marcado pelos estudos de Henri
Gouhier (1898-1994), Jean
Hyppolite (1907-1968), Vladimir
Jankelevich (1903-1985), Georges
Canguilhem (1904-1995) e
também do sociólogo Georges
Gurvich (1894-1965). O centenário
do nascimento de Bergson,
em 1959, abre uma nova
etapa. O colóquio realizado no
10º Congresso das Sociedades
de Filosofia de Língua Francesa
não teve uma especial ressonância,
apesar de algumas destacadas
contribuições. Contudo, a reedição
das obras de Bergson em
três volumes, a cargo de André
Robinet, permite uma nova difusão
do pensamento do filósofo, e
coincide com uma renovação de
seus leitores, dentre os quais se
destacam Maurice Merleau-Ponty
(1908-1961) e, particularmente,
Gilles Deleuze (1925-1995).
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