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Pensador francês colocou o conceito de intuição no centro de sua filosofia
enfrentando os dogmatismos reinantes na primeira metade do século 20
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Em 2007 comemorou-se o centenário
da publicação A Evolução
Criadora, de Henri Bergson
(1859-1941). O acontecimento teve
repercussões diversas em todo
o mundo, não apenas pelo número
de estudos e de textos produzidos
com base em seu conteúdo
mas também pela polêmica provocada
pela obra nos mais diversos
meios culturais.
A produção anterior do filósofo
já tinha recebido uma atenção
significativa, porém, mais restrita à academia, aos campos disciplinares
que cada um dos seus trabalhos
abordava. Praticamente todo
especialista conhecia as teses
apresentadas por Bergson em Matéria
e Memória (1896). Nos meios
artísticos, O Riso (1901), consagrado
a definir o que pode ser “o objeto
da arte”, era lido e respeitado
por estabelecer uma relação harmoniosa
entre arte e filosofia.
Contudo, a publicação de A
Evolução Criadora fez com que
esse movimento se ampliasse exponencialmente,
tanto no meio
filosófico – no qual os pensadores
sentem necessidade de posicionar-se perante essa nova tentativa
de constituir uma filosofia
geral, focada até mesmo nas condições
de emergência da vida –
quanto em outros campos disciplinares.
Nestes, o estudo da
obra de Bergson torna-se uma
ocasião para o cruzamento de saberes
e para pensar as condições
de possibilidade de uma teoria
do conhecimento que escape aos
cloisonnements instruits (“compartimentações
instruídas”, em
tradução livre) pela emergência
das novas ciências no século.
O interesse pela obra de
Bergson não se deu apenas nos
claustros universitários, onde despertou
um número significativo de
estudos, mas também fora deles,
reconduzindo a filosofia a sua tarefa
mais clássica: a de doadora
de sentido a uma cultura. Desde a
publicação de A Evolução Criadora
até o final da Primeira Guerra
Mundial, ele figura como o autor
de língua francesa mais traduzido no mundo. O período entre guerras
marca um reconhecimento institucional
importante e uma atuação
pública ativa do autor. Além
de presidir a Comissão pela Cooperação
Intelectual da Sociedade
das Nações, recebeu o Prêmio
Nobel de Literatura. Ainda nessa época, sua obra provoca uma série
de polêmicas devido a sua suposta
intenção de refutar as teses de
Einstein em seu tardio Duas Fontes
da Moral e da Religião, que provoca
muitos problemas tanto para
seus detratores quanto para seus
seguidores. Participam dessa polêmica
nomes reconhecidos como
Georges Politzer (1903-1942), Paul
Nizan (1905-1940), Julien Benda
(1867-1956) e Jacques Maritain
(1882-1973). Abundam as refutações
e os panfletos, bem como os
textos nos quais o intuicionismo
de Bergson é simplesmente rotulado
de anti-racionalista.
As satisfações que a arte somente somente fornecerá a privilegiados
pela natureza e pela fortuna, e apenas de vez em quando,
a filosofia assim entendida oferecerá a todos, em todos os
momentos, re-insuflando a vida nos fantasmas que nos rodeiam
e revivendo a nós mesmos. E assim ela se tornará complementar à ciência tanto na prática quanto na especulação. Com suas
aplicações que visam apenas a comodidade da existência, a
ciência nos promete o bem-estar, até mesmo o prazer. Mas a
filosofia poderia já nos dar a alegria.
Henri Bergson, em A Intuição Filosófica |
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