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Como garantir a verdade das
afirmações que a Ciência faz
com base em coisas as quais
nunca observou?
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Realidade, verdade e crença são palavras com significados relacionados entre si. Quando a ciência
se pronuncia sobre um determinado assunto, a
atitude mais comum das pessoas é acreditar que o
que foi dito é verdadeiro, pois se supõe que corresponda
a algo real. Como pensar, então, na possibilidade
de um “anti-realismo científico”?
Pois no âmbito filosófico isso é possível. A filosofia da ciência estuda e questiona, entre outros
assuntos, as relações entre verdade científica, realidade
e crença. Indaga, por exemplo, se podemos conhecer
o real tal qual ele é, e qual o limite do que o
ser humano pode conhecer por meio do pensamento
científico. Encontramos uma primeira grande distinção
entre o realismo e o anti-realismo científico,
lembrando que ambos debatem próximos às fronteiras
do conhecimento humano e das crenças suscitadas
pelas teorias científicas quando estas fazem suas
descrições de entidades, processos e estruturas.
O realismo científico afirma que a realidade pode
ser conhecida pela ciência, embora isso se dê
gradativamente e ainda falte muito para conhecermos.
Por isso, um realista, diante de uma afirmação
científica, considera que essa afirmação sempre é
verdadeira ou falsa porque sua verdade ou falsidade
surge em comparada a algo que existe independente
de nós e de ser conhecido por nós.
Ora, quando se fala de coisas percebidas como
reais por todos – os objetos materiais ordinários –,
é difícil afirmar que elas não existem. Mas a ciência
não faz afirmações apenas sobre o que se observa,
mas também sobre o que não pode ser visto como
o elétron, o quantum e os campos magnéticos, entre outros. E é aqui que os anti-realistas começam a
apontar problemas.
O outro lado
O anti-realismo científico questiona se é mesmo
possível conhecer as entidades, os processos e
as estruturas inobserváveis postulados pelas teorias
científicas. Seus argumentos intentam comprovar
que não. O anti-realismo científico pode assumir
três aspectos principais: empirismo, instrumentalismo
e convencionalismo.
O empirismo parte do pressuposto de que todo
conhecimento provém da experiência sensível e rejeita
as especulações meramente racionais. Admitem-se
como existentes as coisas particulares (observadas
em espaço-tempo específico), porém, as afirmações
universais são tidas como extrapolações teóricas,
construções lingüísticas, enfim, ficções de que a ciência
se serve. Nada se pode afirmar com certeza sobre
aquilo que não se observou, sobre a estrutura subjacente
dos fenômenos que são vistos.
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